Passeio pela Borges

Em uma bela tarde de sol, de uma semana que já nem lembro, resolvi dar uma caminhada na Av. Borges de Medeiros, no melhor estilo turista, com a máquina fotográfica pendurada no ombro. Era um dia quente e todos pareciam ter tido a mesma ideia que eu. Sotaques de todas as partes do Brasil, e até de fora do país, se misturavam com os moradores na calçada da Borges, como é carinhosamente conhecida a avenida.

Comecei meu passeio pelo que, enganosamente, as pessoas acreditam ser o início da Borges de Medeiros. A avenida começa mesmo logo depois da rótula das bandeiras, onde fica o Kikito. No entanto, esse começo é mais reservado aos restaurantes e algumas poucas lojas. Os turistas querem saber da continuidade da Borges, que concentra as principais atrações de Gramado. E, assim como eles, resolvi seguir por esta via.

Se eu não fosse tão desastrada para caminhar e beber algo ao mesmo tempo (e ainda tentar tirar fotos), um chimarrão teria sido uma boa companhia. Ou até mesmo um tererê, pelo calor inesperado do dia. Mas segui só, com meus pensamentos, olhando para os lados e admirando cada detalhe que a Borges reserva. Sem falar nas pessoas. Turistas desfilam suas melhores roupas, incluindo mantas, toucas e luvas, mesmo em dias mais quentes. Todos querem sentir aquele clima europeu que Gramado promete. Nem que seja apenas para o momento da foto. Sinto deixar um alerta: no verão também faz calor em Gramado, não esperem encontrar frio e neve o tempo todo.

Mas voltando a minha caminhada, meu primeiro ponto de parada foi a Praça Major Nicoletti. Não que eu já estivesse cansada, mas queria sentar em um dos bancos e admirar o movimento e os pontos turísticos que me esperavam, ali pertinho. Você pode optar pelos bancos na sombra, embaixo dos pergolados cobertos pelas folhagens, ou alguns bancos ao sol, próximos da fonte, rodeada de flores. Qualquer que seja a sua escolha, aproveite o momento, descanse, absorva o clima, os cheiros e a sensação de estar em um pedacinho da Europa.

Da praça é possível visualizar a imponente Igreja São Pedro. Fotografar a igreja pode ser um pouco mais difícil do que você imagina. Estando do outro lado da rua, os carros atrapalham, indo para a frente da igreja, as pessoas atravessam o tempo todo. Mas tudo bem. Carros e pessoas fazem parte do cenário. Pelo menos foi assim que eu encarei. Ainda da praça, me lancei no desafio de fotografar o Palácio dos Festivais. E, por mais que você tente, sempre tem alguém no meio de cena fotografando alguma outra pessoa em frente ao Palácio. Como eu disse, faz parte.

Depois foi a vez da charmosa Rua Coberta, com seus bistrôs, cafés e lojas. É ali que os turistas sentam-se com suas melhores roupas, enquanto bebem um café, espumante ou apenas um chocolate quente, enquanto admiram os transeuntes e, ao mesmo tempo, são admirados. É também na Rua Coberta que acontecem alguns espetáculos gratuitos do Natal Luz, de tardezinha e à noite, mas no momento em que eu passava por ali ainda era cedo, e nada acontecia, então segui minha caminhada.

Do outro lado da rua, quase em frente à Rua Coberta, fica a concorrência: o Largo da Borges. Brincadeiras à parte, o Largo não se compara à Rua Coberta, ele tem um propósito diferente. Ali se reúnem as melhores lojas e boutiques, com suas vitrines atraentes e seus preços elevados, pelo menos para os reles mortais como eu. Sendo assim, nem cheguei perto, passei do outro lado da rua, apenas olhando de longe. Mas para quem gosta de livros, e quer fazer uma pausa para um café e um lanche, o Largo abriga a Livraria Succelus, que merece uma bisbilhotada e uma paradinha.

Caminhando e suando, decidi que era hora de fazer uma pausa e tentar aplacar o calor. Um pouco mais adiante, avistei a loja da Chocolate Planalto, onde resolvi degustar, sem culpa, o que me parecia mais apropriado: sorvete. Sabores chocolate e “natal luz”. Sentei na parte externa da loja, com vista para a Av. Borges de Medeiros, e ali fiquei, observando o burburinho e repassando as fotos que eu havia tirado, que não eram muitas. Pelo jeito eu teria que voltar outro dia para tirar mais fotos. E foi o que eu fiz.

Voltei mais duas vezes para a Borges, na tentiva de tirar umas fotos bacanas, mas sem sucesso. Na primeira, comecei parada no canteiro central, em frente à Rua Coberta e ao Palácio dos Festivais, quando, 5 minutos depois, uma garoa começou a cair. Depois de meia dúzia de fotos, guardei e máquina e desisti dos planos. Recentemente fiz minha segunda tentativa. Saí com o sol a pino, calorão de 30ºC, incomum para os padrões de Gramado, pensando que era impossível os planos darem errado. Ledo engano.

Comecei a empreitada pela verdadeiro início da Borges. Arrisquei algumas fotos, em meio aos carros, quando percebi que não estava rendendo, segui viagem. Entrei na segunda parte da Borges, já suada, máquina em mãos e novas tentativas. Tudo parecia bem, até uma nuvem preta (ou seria cinza?) se instalar no céu. Em poucos minutos um vento forte, e frio, começou a soprar e espantar os turistas da rua. Sentei calmamente em um dos bancos da Praça Major Nicoletti, revisei as fotos, mirei a igreja e ainda fiz mais alguns cliques.

Quando o início do temporal parecia breve, decidi que era hora de bater em retirada. Mas sem pressa. A Borges te oferece opções até em dias de chuva. Se algo semelhante acontecer com você, vá até a Rua Coberta, se a sua intenção maior for sentar e comer algo, ou então, dê um pulo no Largo da Borges e aproveite para fazer umas compras. Mas não deixe de apreciar o que a Borges tem de melhor. Bom passeio!

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