Josephina Café

* por Bárbara Keller

Enquanto atravesso a rua, vislumbro a beleza do local escolhido para o almoço de uma quarta-feira nublada. O tom terroso das paredes, em constraste com o verde do toldo e das janelas, a porta de madeira, clássica, a decoração natalina, são apenas alguns dos detalhes que chamam a atenção em um primeiro momento. Na calçada, a placa escrita a giz anuncia o cardápido executivo, enquanto outro quadro negro, fixado na parede, apresenta os principais pratos do local. Esse é o Josephina Café, em Gramado, um lugar que não deixa nada a desejar aos restaurantes e cafés que você encontraria em Paris, por exemplo.

No entanto, o Josephina Café está bem longe de Paris, ele fica na Rua Pedro Benetti, 22, no Centro de Gramado. As cadeiras e pequenas mesas na calçada também lembram os estabelecimentos europeus, e convidam o turista a sentar e apreciar um café, enquanto observa o burburinho da rua. Depois da chuva do início da manhã, optamos por escolher uma mesa dentro do restaurante. Os quatro irmãos que comandam o local transformaram a casa do bisavó, que era dentista, no Josephina.

Ao entrar, o aspecto familiar fica evidente na riqueza de detalhes e no cuidado com a decoração. Na entrada, o antigo pedal da broca e a placa do consultório do bisavô, assim como uma máquina de costura, um ferro de passar roupa e um banco para guardar lenha, te fazem voltar no tempo e embarcar em uma residência alemã ou italiana. No balcão, onde hoje são vendidos os doces e outros produtos produzidos pelo Josephina, ficava o consultório do bisa. No banheiro masculino, além dos objetos trazidos de viagem pela tia-avó e da parede coberta com mapas, o antigo cofre do bisavô faz sucesso, agora como armário para guardar o papel higiênico e outros ítens.

Rodrigo, um dos donos, conta que já recebeu diversas propostas dos clientes para vender os artigos familiares espalhados pelo restaurante. “Esses objetos têm um valor sentimental inestimável. Eles não estão à venda”, explica. E foi justamente com esse pensamento, juntando objetos pessoais dos avós e tios, que eles criaram o Josephina Café, como forma de homenagear a família. Cada objeto conta uma história. E enquanto eu estava sentada, admirando cada pedacinho e cada detalhe do restaurante, foi justamente essa sensação de ambiente familiar que fez eu me apaixonar pelo lugar.

No lado esquerdo do restaurante, os irmãos colocaram as fotos da família do pai, a parte italiana, da onde vem o nome Josephina. Já no lado direito, a parede é coberta com fotos da parte alemã, do proprietário da casa, o bisavó. Além das fotos, duas mesas coloridas (azul e amarela), uma parede verde e outra de tijolos, uma coleção de caixas de fósforos e diversos quadros compõem o primeiro ambiente do Josephina. No espaço ao lado, uma espécie de sala de leitura, com uma estante com livros, sofá e poltronas, e apenas duas mesas, tem lugar. Enquanto no ambiente mais ao fundo, a parede rosa antigo, os quadros, discos de vinil e suas capas, e bolachas de cervejas, completam a decoração do local.

Em cada mesa de madeira, uma garrafa de vidro de Coca-Cola, com uma flor, adiciona um toque charmoso ao espaço. Eu poderia ficar o dia inteiro reparando em todos os detalhes, mas a fome estava batendo e resolvemos escolher os nossos pratos. O Josephina Café, ao contrário do que você possa imaginar de um café, oferece não só bebidas e lanches, mas pratos completos, pra ninguém colocar defeito. No cardápio, entradas, saladas, sopas e cremes, omeletes, risotos, massas, carnes, sanduíches e diversos doces são as opções oferecidas.

Optamos pelo risoto de salmão com alho poró, R$ 37,50, e escalope de filé ao molho de nata, guarnecido com batata Hush Brown e arroz branco, R$ 39,50. Se você achou os preços meio salgados, saiba que tem opções de pratos para todos os gostos e bolsos, com preços que variam de R$ 16,50 a R$ 54,90. E se você é fã de risoto, nas quartas à noite qualquer risoto do cardápio, mais uma taça de vinho, sai por R$ 22,90. Depois de 10 ou 15 minutos de espera, nem lembro, só sei que foi muito rápido, nossos pratos chegaram. E nada daqueles pratos chiques com pouca comida. No Josephina você tem uma comida diferenciada e uma porção bem generosa.

Como era de se esperar, a comida era deliciosa, e o atendimento, excelente. Enquanto comíamos, reparei na música ambiente, bem tranquila, importante para os momentos de silêncio, mas sem atrapalhar na hora da conversa. Para beber, o restaurante oferece desde sucos e chás, até drinks e vinhos. Se você for no Josephina para um lanche, no fim de tarde, a dica é experimentar os cafés elaborados e os chocolates. E por falar em chocolate, opções de sobremesa não faltam, e todos os doces e tortas são feitos na cozinha deles. Nós pulamos essa parte porque estávamos com um pouco de pressa, e também porque queremos voltar lá especialmente para degustar um doce e um café.

Além de todas as delícias que o cardápio oferece, você também pode levar pra casa geléias, vinagres, azeites e conservas produzidos por eles. De sexta a domingo eles vendem o pão Josephina, enquanto canecas e xícaras personalizadas do restaurante também podem ser adquiridas. Se você tiver oportunidade, conheça também o ambiente externo, nos fundos do restaurante, que conta com um pergolado rústico, flores e temperos. No dia que fomos tinha chovido e o espaço não estava montado. Mas se tiver sol, peça pra conhecer, vale a pena. O Josephina Café faz de tudo para que você saia de lá apaixonado, querendo voltar, e consegue cumprir a tarefa.

Endereço: Rua Pedro Benetti, 22, Centro. (Na rua onde está a exposição de renas decoradas, do Natal Luz).

Mapa

Horário de atendimento: De terça a domingo, das 11h30min às 23h.

Site do restaurante

Telefone: (54) 3286-9778.

Página no facebook

E-mail: josephina@josephinacafe.com.br

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