Impacto do coronavírus no Turismo: números e perspectivas

Mariana Blauth

Quer entender o impacto do coronavírus no turismo? De fato, o setor de viagens é um dos mais afetados na economia, com quedas bruscas de receita em 2020. 

Mas, afinal, quais são os números do segmento até aqui? Quais são as tendências para o turismo no mundo pós-pandemia? 

Para entender melhor do assunto, basta seguir com a leitura. Nos tópicos do artigo, você vai descobrir o impacto do coronavírus no turismo internacional e brasileiro. Vamos nessa?

Tamanho do impacto do coronavírus no turismo

O impacto do coronavírus no turismo é grande e afeta diversas economias ao redor do mundo que dependem das atividades no setor.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT), no primeiro trimestre de 2020, houve queda de 22% nas chegadas de turistas ao redor mundo. Só em março, o declínio foi de 57%. Segundo a organização, trata-se de uma perda de 67 milhões de chegadas internacionais e de cerca de 80 bilhões de dólares em receitas.

Em um estudo do instituto McKinsey & Company, a recuperação do turismo deve ocorrer somente a partir de 2023 para alcançar os números anteriores à pandemia.

Também é importante ressaltar a cadeia de serviços envolvida na indústria do turismo. Alguns segmentos essenciais que terão que se recuperar financeiramente incluem:

  • Transportes (com destaque para companhias aéreas)
  • Hospedagem
  • Agenciamento de viagens
  • Comércio
  • Serviços de alimentação e lazer.

Números do impacto do coronavírus no turismo 

No cenário brasileiro, o impacto do coronavírus no turismo não é diferente. O setor perdeu 11 bilhões de reais em faturamento só na última quinzena de março. Trata-se de uma queda de 84% em comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Além disso, considerando uma possível estabilização da economia entre outubro de 2020 e outubro de 2021, a perspectiva é de que o setor tenha uma perda econômica de cerca de 21,5% no biênio em comparação a 2019. É uma perda que totaliza R$ 116,7 bilhões.

Esses dados são do estudo Impacto Econômico do Covid-19: propostas para o turismo brasileiro, divulgado em abril pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Já de acordo com o Guia para o turismo em tempos de pandemia, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a estimativa é de que o turismo no país só desperte quando o setor hoteleiro for reativado. A previsão de retorno, segundo o documento, é para setembro de 2020, com maior demanda por pousadas e hotéis pequenos.

Qual será o impacto do coronavírus no futuro do turismo? 

Nos tópicos a seguir, descubra algumas tendências que sinalizam o impacto do coronavírus no turismo pós-pandemia.

Início de recuperação em viagens a trabalho

Em um artigo para o jornal da Universidade de São Paulo (USP), a professora do Departamento de Geografia da FFLCH/USP e coordenadora do Laboratório de Estudos Regionais Rita de Cássia Ariza da Cruz afirma que a atividade turística tende a levar anos para recuperar os patamares anteriores à pandemia. 

“Por outro lado, alguns segmentos possivelmente terão uma recuperação mais rápida em relação a outros, como é o caso das viagens corporativas ou o chamado turismo de negócios”, pontua.

Destaque para experiências imersivas

O futuro do turismo também é permeado pela tecnologia. Um relatório de tendências para o mundo pós-coronavírus da plataforma Trend Watching aponta que a economia de experiências virtuais crescerá depois do Covid-19.

O documento ressalta que as viagens estão na lista de experiências imersivas que uma pessoa pode ter sem, de fato, se deslocar para outros lugares.

Cuidado com medidas de limpeza dos estabelecimentos

Em uma entrevista para a CNN, Christopher Anderson, professor de negócios da Universidade Cornell, aponta a preferência de viajantes por estabelecimentos que priorizam a higiene e, por consequência, a saúde dos visitantes.

“Todo mundo, seja cruzeiro, hospedagem ou hotel, terá que mudar a forma como monitora e limpa o ambiente com o qual os consumidores interagem e comunicar isso de volta aos hóspedes, a fim de aumentar o nível de conforto deles”, destaca o professor.

Destinos na natureza

Outra tendência para o futuro do turismo é a busca por contato com a natureza em destinos onde há menos aglomeração. Os padrões de consumo nos Estados Unidos são indicativos disso.

Menos de 20% dos estadunidenses desfrutavam de tempo ao ar livre mais de uma vez por semana antes da pandemia, dados da Associação de Atividades Externas publicados no O Globo

Apesar disso, durante a crise, houve aumento de 121% em vendas de bicicletas para adultos nos Estados Unidos e de 50% em vendas de licenças de pesca no estado de Vermont, por exemplo.

E então, ficou claro o impacto do coronavírus no turismo? Como você, viajante, tem lidado com a crise, em relação aos seus planos para o futuro, perspectivas e investimentos? Compartilhe este artigo com a sua opinião nas redes sociais.

Deixe uma resposta